Pela janela

•Junho 26, 2009 • 2 Comentários
Aberta para lugar algum.

Aberta para lugar algum.

Maria entrou rápido, batendo forte a porta atras de si. Tinha saído pra tomar um ar rapidamente. Visivelmente alterada, sua respiração ofegante denunciava que não era dona de sua consciência. Subiu as escadas correndo, aos trancos pulava de dois em dois degraus. Escancarou a porta do quarto como pôde e começou a mexer no computador que deixara ligado. Seu melhor amigo estava online. Maria suspirou e começou a digitar contando-lhe o acontecido.

  • Cara, não sei o que fazer! Digitou Maria rapidamente…
  • Quanto ao que? Perguntou Roberto cobrindo a tela do MSN com interrogações.
  • Eu o matei Roberto…. o corpo está lá embaixo, no sofá.
  • Eu não devia ter te contado sobre Sofia…

Antes de ler o que seu amigo digitava, Maria saiu do quarto. Desceu para a sala e reclinou-se sobre o sofá que mal viu quando subiu as escadas perseguida pela culpa. Olhando para o corpo, Maria desejava que aquilo não fosse de verdade. Queria muito acordar. Atônita, se perguntava porque havia matado por amor. Se sentia incoerente, não podia acreditar que chegara ao auge da unificação entre amor e ódio. Matara porque queria só pra ela alguem que não era nem de si mesmo.

Com a mente tomada por todos os momentos felizes que viveram, Maria subiu novamente as escadas. Passou do primeiro para o segundo e do segundo para o terceiro. Entrou no sótão andando calmamente em direção a janela. Abriu. Pulou de cabeça.

Fabricio Rocha

Reconsiderando

•Abril 21, 2009 • 3 Comentários

Desfazendo-se

Desfazendo-se


Minha proposta não é um texto de auto-ajuda. Só quero manifestar minha indignação comigo mesmo, apenas. Não me leve a mal, leia-me nem que seja por consideração. Não é nenhuma grande noticia ou grande descoberta, mas quem sabe não valha à pena? Pois bem…

Sabe quando paramos para pensar sobre nossos atos, nos analisando por parâmetros que julgamos corretos? Bem aquela conversa de mídia e tudo mais, a imagem produzida, a alienação. Somos extremamente exigentes sobre nós mesmos. Montamos um padrão e não deixamos que ele fuja, seja ele qual for. É daí que quero começar. A ficha não tem caído.

Sabe aqueles, que andam todo rasgados, reclamando da sociedade, mandando a Globo pro inferno e tudo mais? De onde é que eles criam essas figuras que são? Por favor, isto aqui é pura pretensão, não sou especialista em nada, mas… pare pra pensar. Convivem, se conectam a internet, trocam informações e formam seus costumes, como em qualquer tribo. Começam a se fortalecer como tribo, olham uns para os outros e o poder sobe às suas cabeças: nós podemos ir longe nesta terra! E a partir daí começam a surgir lojas online vendendo produtos alternativos, para uma maneira alternativa de se viver, uma nova filosofia de vida que promete mudar o mundo. Olha ai, a semente maligna do capitalismo brotando nos corações. Você cria o estereótipo, espera crescer, depois vende.

Não é legal? Sair por ai gritando, “viva a revolução”, e nem se atinar para a semelhança das formas. Não dá pra aprender com o passado? Por que afirmar ser revolução? Será proposital, ou não percebem mesmo?

O que é revolucionário hoje em dia? Pra mim é voltar ao passado e escolher a dedo como agir, afinal são varias as opções. E daí deixar os outros viverem em paz e felizes com o que escolheram. Os mortais já fizeram de um tudo sobre esse mundo. Até hoje nunca vi um grupo em discussão onde algum membro não usasse alguma fala do tipo: “em tal época, as pessoas faziam tal coisa e se davam muito bem”. Daí você sai taxando os outros jeitos de ineficientes, briga com o mundo, desqualifica o outro. Que gosto amargo que me dá. Não dá pra só viver e deixar viver?

Eu bato sempre na mesma tecla: NINGUEM RESPEITA NINGUEM. Não adianta. Façam passeatas, lutem por leis, garantam seus direitos. Ou matem uns aos outros, se rasguem todos. Algum dia isso mudou alguma coisa? Não, é muito superficial! Quando um novo estereótipo se desfaz, outro se forma, e o tempo se encarregará de torná-lo injusto e incompleto através da história. O mundo se estranha de novo. Olha o círculo vicioso que se faz. E dá jeito? Alguma vez deu jeito de verdade? Só vamos melhorando, não é mesmo, não é isso que vemos? Não, definitivamente, não.

Calemo-nos e deixemo-nos injustiçar. Isso é diferente de tudo. Ultra doloroso, mas muito mais eficiente para mudanças eficazes. Enquanto isso, ame as pessoas por serem pessoas, se não sabe, não tente ler seus pensamentos. Mas ame apenas as pessoas.

Alien Nação

•Março 17, 2009 • 2 Comentários
Dois tripulantes.

Dois tripulantes.

E descemos no céu da terra como clarão. A nave se incendiou e não tínhamos mais o que fazer, e ele ria nervosamente. Parecia satisfeito. Devia ser por isso que havíamos feito todos os cálculos de mudança de curso a partir da atração gravitacional dos planetas em nossa rota. Ele insistiu tanto que passássemos perto da terra. E agora estamos caindo rápido em direção a algum oceano do planeta azul. Muito rápido. Minha preocupação não é a queda em si, mas a hora de acionar o freio anti gravitacional e não deixar o pouso fazer barulho. Feito. Nem uma gota se espalhou abaixo de nós, a água se moveu como se fosse uma gelatina e voltou ao seu lugar. Descemos devagar, pra dentro do mar.

Já tinha visto muitas coisas bonitas, muito mais do que esta grande massa de água. Não havia nada de novo, apenas algas, peixes e uns mamíferos aquáticos grandalhões. Respirei aliviado por estar longe da poluição humana.

- E então, já que estamos aqui, quer olhar alguma coisa? Me disse ele.

- Os humanos. Rápido, prefiro os céus, vamos emergir. Respondi de pronto.

Subimos à luz, pouca luz. Era uma praia nublada e deserta, com alguns troncos negros jogados na areia grossa e cheia de conchas. Sobrevoamos a cidadela devagar. Os humanos não conseguiam nos distinguir das nuvens. Continuavam suas vidas.

-  Estão do mesmo jeito, como bem imaginei. Satisfeito?

-  Um dia eles param de se digladiar. Sei que param. Disse ele em resposta.

- Da primeira vez eles demonstravam a selvageria através da violência física. Barbárie bestial.  Agora evoluídos bestializam por meio dos sentimentos, em suas relações interpessoais. Não percebe os músculos da face?! Não vê como demonstram arrogância até o último movimento?  Tentando fazer tudo girar envolta do pouco evoluído ego que possuem…

- Chega! Vamos embora, um dia quem sabe… respondeu desgostoso da réplica.

Mais rápido que o acender e apagar de uma luz, estávamos já bem fora da galáxia. Voltemos ao nosso rumo. Não gosto de visitá-los, mas ele tinha que ter feito isso. Pra ficar bem consigo mesmo. Eles sabem o que fazer pra mudar, também tenho esperanças, mas em silencio. O que incomoda é que parece que não querem isto. Agonizam. Minha agonia.

Até quando vos sofrerei?

•Março 13, 2009 • 2 Comentários
Mundo humano.

Mundo humano.

Por que devo acreditar nas pessoas? Por mim mesmo. Pode ser que eu não seja a pessoa mais compreensiva do mundo, mas agradeço a Deus por ter nascido neutro. Não consigo ter preconceitos. Desde pequeno nunca soube diferenciar uma pessoa negra de uma branca, e nunca fui incentivado a isso dentro da minha família. Conforme fui crescendo que fui descobrindo que as pessoas faziam isso, e as continuei aceitando, mesmo sabendo de toda a demonstração de falta de humanidade.  Não as podia mudar. Não sabia como fazê-lo. Assistir a crueldade dos comentários, das comparações me ensinou a filosofar as diferenças desde muito cedo. E enfim aprendi a ver o ser humano em qualquer lugar, mesmo que extremamente mascarado de ódio ou preconceitos. Olhar pra dentro da alma e sentir em mim o mínimo sentimento do outro. E qualquer que estiver lendo pode ter certeza que minha intenção é muito mais de poetizar do que de explicar meus processos internos. As coisas ficam mais leves assim.

Quem me conhece sabe que tenho minhas convicções, como todos têm. Tenho fortemente construído o que acho certo e errado, e não mudo pra agradar algum mortal. Agora diante das diferenças, das pessoas diferentes, não consigo me comportar, interagir, guiado pelo o que o outro pensa, acredita, segue. E o respeito? É ser humano, pessoa, da raça humana, com o sangue vermelho como o meu. Sente dor. Sofre. Causar sofrimento? De maneira nenhuma, isto é inconcebível! Eu não gosto de sofrer. Mas sofro, porque a falta de educação me dói no útero que nem tenho.

Sendo bem claro, parando com os rodeios: se eu acho que um bruxo está enganado referente ao que crê, que vai pro inferno, o que exatamente eu tenho com isso? Nada. Mesmo que meu credo religioso me instrua a interferir para que a pessoa possa mudar de idéia? Sim, não tenho nada com a vida dos outros. Existem maneiras éticas de fazer isso. Manter uma conversa respeitosa, trocar experiências em paz, com compreensão, faz parte do processo evolutivo desta nossa humanidade que largou o tacape há muitos anos. Deus que nos deu o livre arbítrio pra escolher o que seremos, e a comunicação pacifica aumenta a quantidade opções pra escolha. Posso dizer o que penso sem ser agressivo e desrespeitoso, assim como aceito ouvir o que os outros pensam. Não preciso concordar, ouço amigavelmente e faço minha peneira mentalmente, aproveitando o que posso e descartando o que discordo. Agora se sei que vou ofender, fico quieto.  E a agressividade tem vindo de todos os lados. Um acusa o outro e estão todos cegos batendo cabeça por ai. A intolerância é uma febre. Bem que a bíblia diz que no fim dos tempos o amor esfriaria. E isto só pode ser o fim do mundo.

Preciso dar algum exemplo? Acho que não. Assistimos a arrogância dando espetáculos todos os dias por ai. E se eu estiver errado, que Deus me concerte, peço sincera e humildemente.

Comentando um crime.

•Março 8, 2009 • Deixe um comentário

O defunto ainda em vida.

O defunto ainda em vida.

Por Fabricio Rocha

Vou fazer a critica, calma. Só preciso ler de novo, pra me situar. Da licença. Não se vê disso todos os dias, mas é sim por falta de escrutinar. O autor esteve sempre ali, podia ter me ensinado a escrever assim, mas tudo bem. Já comecei a imitá-lo. São tantos pontos, acho que não me acostumo. Gosto de virgulas. Essa história de confissão de crime me deixou com fome. Estou ficando tão gordo vendo essas coisas de internet. Não? São seus olhos. E nem uso photoshop. É magnífico mesmo, né? Não precisa olhar estupefata pra isto querida, é só um texto. Ele poderia ter falado de Michael Jackson. Tem perfil. Sabe aqueles que escrevem umas coisas meio non-sense que todo mundo gosta? É assim mesmo. Mas de qualquer forma, não consigo parar de pensar que ele não tem nada a ver com essa história. Ele nunca mataria uma pessoa. Não! O autor mataria. A personagem eu já não sei. Não coloco minha mão no fogo,mas… Não tem perfil . Ele diz que não é doido, mas tudo indica que não bate bem das bolas. Deve ter sido Flora e sua influencia maligna, mesmo depois do fim da novela. Bóra? Não agüento mais. Eu fico confuso. O Word acabou de corrigir o uso da trema, acho que ele não sabe do novo acordo ortográfico. Pra mim o matador vai ser transferido, não vai ficar na cadeia. Precisa de tratamento de choque! Matar o cara assim sem mais nem menos, fora que estava tão confuso nas explicações. Não sei de nada. Estou em baque até agora. Dê a ele um rivotril, deixe-o andar segurando pelas paredes. Ele está fora de si. Coitado. A mudança de lua o deve ter afetado. E não me acuse de defende-lo, todos temos motivos pra tudo. Preciso ir dormir agora, amanhã continuamos. Vou até ver se posto no meu blog. Por quê? Esta foi a condição. Eu deveria tentar um ensaio, sei lá… mil coisas!

Depois dos meus esforços quero que leiam o texto de Tiago Maviero. Tiago é estudante de jornalismo do primeiro período da PUC, mas antes compartilhava turma comigo na UVA. Tem um talento incrível pro teatro e pra literatura. Se sente em liberdade escrevendo sobre cultura. Mais uma daquelas pessoas cheias de dons pra coisa que você conhece vida afora. Alias, Tiago, se ler isto, responda: somos jornalistas?

Leiam já o texto abaixo!

O homem que matou plutão – Por Tiago Maviero

Confesso. Fui eu que matei. Nunca gostei dele mesmo. Tem um cara aí ganhando a fama. O nome? Acho que é Brown. Mike Brown. Pra mim esse nerd não mata nem formiga. Tá certo que o defunto era pequeno. Andam chamando até o maldito de anão. Conheci na escola… Isso mesmo! Estudamos juntos. Já contei? Foi na quinta série. Ele sempre era o último da fila. Cara meio frio. Não tinha muitos amigos. Vivia do brilho dos outros. Sem luz própria, sabe? Depois da formatura, nunca mais o vi. Sumiu! Quer dizer, uma vez passou correndo na praça XV. Um jeito esquisito, meio fora de órbita. Tentei chamar, mas não deu tempo. Não sou doido. Quebro umas velas vez ou outra. Louco, não. Tem coisas que só falo na frente do meu advogado. Nessas horas funciona o tipo estrela. Tenho os meus direitos. Sou réu primário. Aqui tem chuveiro quente? Não posso tomar banho frio. Tenho um papel com telefone da minha prima Arlete. Ela é puta aqui na rua de trás. Um dia me falou pra ligar nesse número se precisasse. Vai pagar a fiança. Não tô com grana. Que olhar é este? Qualquer um mataria o filho da mãe. Fui encurralado quando soube que era regente. Ele! Absurdo. Não sabia nem dele mesmo. Ia saber de mim? O infeliz estava na casa cinco. Corri para o quintal e vi que era o número do vizinho. Na casa cinco sob influência de Marte. Nem sei quem é esse tal de Marte. Só sei que o cara ia me deixar agressivo e violento até o dia doze. Eu ia esperar até o dia doze?! Peguei a pistola. Invadi sem delicadeza. Sei que vocês estão aí! Larga de esconde-esconde. Puxei o gatilho. Arma carregada. Virei no corredor dando de cara com a foto de uma gordinha. Era azul de tão obesa. A foto tava num quadro enorme preso na parede. A gorda não tava bem. Muito ozônio na cabeça. Logo saquei qual era a deles. Fui até a cozinha. Ninguém por perto. A geladeira estava aberta. Tinha um bolo assando no forno. Voltei para o quintal. Era noite. Não vai ligar pra Arlete? De repente, ela traz algo pra eu comer. Tenho jeito de mentiroso? Olha pra mim. Parece que tô inventando? Estou algemado, senhor policial! Estou preso neste lugar fedido, mal iluminado. E essas pessoas? Uma mais estranha que a outra. Se um meteoro cai aqui, acaba logo com esta história. Cheguei atirando pra todos os lados. Acertei dois. Um no ombro e outro na cabeça! Confesso. Foi assim. Puft! Paft! Puft! Paft! Não tem pra ninguém. Fiz curso superior. Tenho direito a cela especial. Escuta! Policia! Seu nome? Vou anotar. Gostei de você. Não é aluado feito esse amigo eu. Haley? Pronto. Ouça este conselho. Cometa um crime. Vale a pena ser um astro desses. Eu nem podia imaginar o quanto é divertido. Antes eu escutava Mozart e comia baba de moça. Agora vou ver o sol nascer quadrado. Puft!Paft!Puft!Paft! (gargalhadas). Na verdade só soube ontem que o defunto tinha oito irmãos. Ele era o caçula. Por isso o apelido? Não sei. Pelo menos com tanta gente nem vão sentir falta. Não tinha televisão na casa deles. Na minha casa sempre tivemos TV, telefone, telegrama, telescópio, teleférico… Teleférico era no sítio. Foi no sítio que conheci Maria Fernanda, Maria Eugênia e Maria Priscila. A Maria Priscila tinha enfermidades nos ossos. Eugênia dizia que eu não falo coisa com coisa. Nunca entendi o que ela quis dizer com isso. “Coisa com coisa”. Se ainda fosse coisa com coisa nenhuma, tudo bem. A Maria Fernanda era insignificante. Bem sei por que estou aqui. Saturno denuncia crimes. Não imaginei que tivesse um detetive na minha cola. Saturno não é nome de gente, é nome de cachorro (gargalhadas). Moro numa vila de doze casas. Uma grudada na outra. Não gostam de mim. Dizem que sou um escorpião do deserto, um peçonhento. Sou? Não sou, não. Matei com base em cálculos matemáticos. É ciência. Cúmplices? Não tenho. Talvez os velhos gêmeos da casa três. Eles apontaram a direção e ficaram rindo por trás das cortinas. Alegravam-se ao som da confusão. Minha avó dizia que eu levava jeito pra show-man. Antes de morrer, me deu esta roupa pra eu usar nas minhas apresentações. Quando fui intimado a depor, peguei pra vestir. É uma ocasião mais que especial. Tinha fotógrafo na entrada, microfones, até o pipoqueiro veio fazer um bico. Fui magnífico na entrevista. Primeiro escondi o rosto, depois levantei e olhei pra multidão. Muita gente. Escondi o rosto e pensei: E agora? Levantei a cabeça e dei um sorriso. Um largo sorriso. Foi tanto flash que por fim eu queria um buraco negro pra me enfiar. Então gritei. Sou inocente! Sou inocente! Só pra fazer figura. O repórter perguntou: Você nega o crime? Respondi: Não negarei mais. Fui eu que matei. O povo vibrou! Nossa, nunca vi tanto estardalhaço. Meu coração estava a mil. O assassinato virou matéria e antimatéria em toda a impressa. Quando virei pra entrar na viatura, alguém pediu uma última palavra. Fui olhando tipo câmera lenta e falei: Não se esqueçam de dizer pro Brown que estou de olho nele. Ninguém leva a fama às minhas custas. Puft! Paft! Puft! Paft!

Falsidade Ideológica

•Março 6, 2009 • 3 Comentários
miles-aldridge
Saida do Fabuloso acervo de Miles Aldridge
Por Fabricio Rocha

O Ritual do Corpo Entre os Nacirema é fabuloso, e quem conhece sabe. Quase clássico pra explicar um pouquinho de cultura, pelo menos dar algum rumo à visão. O grande problema dele é que eu não me preocupo com o X da Questão, não estou nem ai. O motivo é que talvez eu seja demagogo assumido por conta das atribuições do cargo que decidi almejar.

O jornalismo é cruel e dissimulado, ninguém acredita mais na imparcialidade. É necessário entender a técnica e alguns detalhes sobre o método, mas… e o publico? Fernando Henrique Cardoso escreveu sobre O Fim Das Massas, sobre públicos. Sobre as interconexões que não se estabelecem nas massas. Sobre as diferenças. Cada ser humano é como um algodão profundamente embebido em interesses, e é nisso que nos fixamos. Chame-me de direitista, eu não ligo. Não há nesse mundo quem negue que trabalha por retorno, que desprenda energia por retorno. Oras, não sejamos hipócritas. Seja por um comentário sequer num blog, você trabalha em função do público pra quem escreve, senão compraria um diário e seria eternamente feliz. Não está errado achar que prestamos serviço à sociedade, só que este vai muito além da noticia pura, da matéria virgem, do texto sem tendências.

O errado é não se assumir, por mais que você não valha um real furado. O errado é se deixar enganar, alienar-se. Não sejamos extremistas, isto não é o fim do mundo. É só se deixar levar pelas marés das multidões, sem se preocupar com seus conceitos próprios. Viva o conflito constante das opiniões cambiantes. Deixe-se ganhar um pouco de dinheiro em cima de nossa sociedade de consumo, vá viajar. É tudo tão simples e natural. Delicie-se.

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O RITUAL DO CORPO ENTRE OS NACIREMA (1)

Por: Horace Minner (2)

O antropólogo tornou-se tão familiarizado com a diversidade de modos pelos quais diferentes povos reagem diante de situações similares, que não consegue se surpreender mesmo com os costumes mais exóticos. Com efeito, se todas as combinações logicamente possíveis de comportamento não tiverem sido encontradas em alguma parte do mundo, ele tem o direito de suspeitar que elas devem estar presente em alguma tribo ainda não estudada. Essa observação já foi, de fato, feita com respeito à organização clânica por Murdock (1949:71). Nesse sentido, as crenças e práticas mágicas dos Nacirema apresentam aspectos tão pouco usuais, que nos parece desejável descrevê-las como exemplo dos extremos a que o comportamento humano pode chegar.
O Prof. Linton foi o primeiro a chamar a atenção dos antropólogos para o complexo ritual dos Nacirema, há vinte anos (1936:326), mas a cultura desse povo é ainda muito pouco compreendida.
Trata-se de um grupo norte-americano que vive no território entre os Cree do Canadá, os Yaqui e os Tarahumare do México, e os Carib e Arawak das Antilhas. Pouco se sabe sobre sua origem, embora a tradição relate que vieram do leste. Conforme a mitologia dos Nacirema, um herói cultural, Notgnihsaw, deu origem à sua nação; ele é, por outro lado, conhecido por duas façanhas de força: ter atirado um colar de conchas, usado pelos Nacirema como dinheiro, através do rio Po-To-Mac e ter derrubado uma cerejeira na qual residiria o Espírito da Verdade.

A cultura Nacirema caracteriza-se por uma economia de mercado altamente desenvolvida, que evolui em um rico habitat. Apesar do povo dedicar muito do seu tempo às atividades econômicas, uma grande parte dos frutos deste trabalho e uma considerável porção do dia são dispensados em atividades rituais. O foco destas atividades é o corpo humano, cuja aparência e saúde surgem como o interesse dominante no ethos deste povo. Embora tal tipo de preocupação não seja incomum, seus aspectos cerimoniais e a filosofia associada são únicos.

A crença fundamental subjacente a todo o sistema parece ser a de que o corpo humano é feio, e sua tendência natural é para a debilidade e a doença. Encarcerado em tal corpo, a única esperança do homem é se prevenir dessas características, através do uso de poderosas influências rituais e cerimoniais. Todo grupo doméstico possui um ou mais santuários dedicados a tal propósito. Os indivíduos mais poderosos dessa sociedade têm vários santuários em suas casas e, de fato, a opulência de uma casa é freqüentemente aferida em termos da quantidade que possui desses centros rituais. A maioria das casas é de taipa, mas os santuários dos mais ricos têm as paredes cobertas de pedra. As famílias mais pobres imitam os ricos, aplicando placas de cerâmica nas paredes dos seus santuários.

Embora cada família possua ao menos um desses santuários, os rituais a eles associados não são cerimônias familiares, mas sim privadas e secretas. Os ritos, normalmente, só são discutidos com as crianças, e isso apenas durante a fase em que elas estão sendo iniciadas nesses mistérios. Eu pude, entretanto, estabelecer com os nativos uma relação que me permitiu examinar esses santuários e ouvir descrições desses rituais.
O ponto focal do santuário é uma caixa ou arca embutida na parede. Nessa arca são guardados os muitos feitiços e poções mágicas, sem os quais nenhum nativo acredita que poderia viver. Tais preparados são obtidos de vários profissionais especializados. Entre estes, os mais poderosos são os curandeiros, cujos serviços precisam ser recompensados por meio de presentes substanciais. No entanto, o curandeiro não fornece as poções curativas para os seus clientes, decidindo apenas quais devem ser seus ingredientes e escrevendo-os em seguida em uma linguagem antiga e secreta. Tal escrita só pode ser compreendida pelo curandeiro e pelos herbanários, os quais, mediante outros presentes, fornecem o feitiço solicitado.
O feitiço não é descartado depois de ter servido a seu propósito, e sim colocado na caixa de mágicas do santuário doméstico. Como esses materiais mágicos são específicos para certas doenças, e as doenças reais ou imaginárias desse povo são muitas, a caixa de mágica costuma estar sempre transbordando. Os pacotes mágicos são tão numerosos que as pessoas esquecem sua serventia original, e temem usá-los de novo. Embora os nativos tenham se mostrado muito vagos a esse respeito, podemos apenas concluir que a idéia subjacente ao costume de se guardar todos esses velhos materiais mágicos é a de que sua presença na caixa de mágicas, diante da qual os ritos do corpo são encenados, protegerá de alguma forma o fiel.

Embaixo da caixa de mágicas existe uma pequena fonte. Todo dia, cada membro da família, em sucessão, entra no quarto do santuário, curva a cabeça diante da caixa d’água, mistura diferentes tipos de água sagrada na fonte, e realiza um breve rito de ablução. As águas sagradas são obtidas do Templo da Água da comunidade, onde os sacerdotes conduzem elaboradas cerimônias para manter o líquido ritualmente puro.
Na hierarquia dos profissionais da magia, e abaixo do curandeiros em termos de prestígio, estão especialistas cuja designação é melhor traduzida por “homens-da-boca-sagrada”. Os Nacirema têm um horror e uma fascinação pela boca que chega às raias da patologia. Acredita-se que a condição da boca possua uma influência sobrenatural em todas as relações sociais. Não fosse pelos rituais da boca, os Nacirema acreditam que seus dentes cairiam, suas gengivas sangrariam, suas mandíbulas encolheriam, seus amigos os abandonariam, e seus amantes os rejeitariam. Eles também acreditam na existência de uma forte relação entre características orais e morais. Assim, por exemplo, existe uma ablução ritual da boca das crianças que se supõe desenvolver sua fibra moral.

O ritual do corpo cotidianamente realizado por todos inclui um rito bucal. Apesar do fato de essas pessoas serem tão meticulosas no que diz respeito ao cuidado da boca, esse rito envolve uma prática que o estrangeiro não-iniciado não consegue deixar de achar repugnante. Conforme foi-me descrito, o rito consiste na inserção de um pequeno feixe de cerdas de porco na boca, juntamente com certos pós mágicos, seguida da movimentação desse feixes segundo uma série de gestos altamente formalizados.
Além desse rito bucal privado, as pessoas procuram um “homem-da-boca-sagrada” uma ou duas vezes por ano. Esses profissionais possuem uma impressionante parafernália, que consiste em uma variedade de perfuratrizes,
furadores, sondas e agulhas. O uso desses objetos no exorcismo dos perigos da boca envolve uma tortura ritual do cliente quase inacreditável. O “homem-da-boca-sagrada” abre a boca do cliente e, usando as ferramentas citadas, alarga qualquer buraco que o uso tenha feito nos dentes. Materiais mágicos são então depositados nesses buracos. Se não se encontram buracos naturais nos dentes, grandes seções de um ou mais dentes são cerradas, para que a substância sobrenatural possa ser aplicada. Na visão do cliente, o objetivo dessas aplicações é deter o apodrecimento dos dentes e atrair amigos. O caráter extremamente sagrado e tradicional do rito fica evidente no fato de que os nativos retomam todo ano ao “homem-da-boca-sagrada”, apesar do fato de que seus dentes continuam a se deteriorar.

Deve-se esperar que, quando um estudo abrangente dos Nacirema for feito, seja realizada uma pesquisa cuidadosa sobre a estrutura da personalidade desses nativos. Basta observar o brilho nos olhos de um “homem-da-boca-sagrada”, quando ele enfia uma agulha em um nervo exposto, para que se suspeite de que uma certa dose de sadismo está presente. Se isso puder ser verificado, um padrão muito interessante emergirá, posto que a maioria da população mostra tendências masoquistas bem definidas. Era a tais tendências que o Prof. Linton se referia, ao discutir uma parte especial do ritual cotidiano do corpo que é realizada apenas pelos homens. Essa parte do rito envolve uma lanhadura e laceração da superfície do rosto por meio de instrumento cortante. Ritos femininos especiais ocorrem somente quatro vezes por mês lunar, mas o que lhes falta em freqüência sobra em barbárie. Como parte dessa cerimônia, as mulheres assam suas cabeças em pequenos fornos durante mais ou menos uma hora. O ponto teoricamente interessante é que um povo que parece ser predominantemente masoquista tenha desenvolvido especialistas sádicos.

Os curandeiros possuem um templo imponente, ou latpso, em cada comunidade de algum tamanho. As cerimônias mais elaboradas, necessárias para o tratamento de pacientes muito doentes, só podem ser realizadas nesse templo. Tais cerimônias envolvem não só o taumaturgo, mas também um grupo permanente de vestais, que se movimentam calmamente pelas câmaras do templo com uma indumentária e um penteado distintivos.

As cerimônias latpso são tão rudes que é impressionante o fato de que uma razoável proporção dos nativos realmente doentes que entram no templo consiga curar-se. Crianças pequenas, cuja doutrinação é ainda incompleta, costumam resistir às tentativas de levá-las ao templo, alegando que “é aonde você vai para morrer”. Apesar disso, os doentes adultos não apenas desejam, como ficam ansiosos para submeter-se à prolongada purificação ritual, se eles possuem meios para tanto. Os guardiões dos muitos templos, não importa quão doente o suplicante ou quão grave a emergência, não admitem o cliente se ele não puder dar um rico presente ao zelador. Mesmo depois que conseguiu a admissão e sobreviveu às cerimônias, os guardiões não permitem a saída do neófito até que este dê ainda outro presente.

O(a) suplicante, ao entrar no templo, é primeiramente despido(a) de todas as suas roupas. Na vida cotidiana, os Nacirema evitam a exposição de seus corpos e de suas funções naturais. O banho e a excreção são realizados somente na intimidade do santuário doméstico, onde são ritualizados, fazendo parte dos ritos corporais. Choques psicológicos resultam da súbita perda da privacidade corporal, ao se entrar no latpso. Um homem, cuja própria mulher jamais o viu enquanto realizava um ato excretório, subitamente encontra-se nu, assistido por uma vestal, enquanto executa suas funções naturais dentro de um vaso sagrado. Esse tipo de tratamento cerimonial é necessário porque os excrementos são usados por um adivinho para diagnosticar o curso e a natureza da doença do paciente. Os clientes femininos, por seu lado, vêem seus corpos nus submetidos ao escrutínio, manipulação e cutucadas dos curandeiros.

Poucos suplicantes no templo estão suficientemente bem para fazer qualquer coisa que não seja ficarem deitados em suas camas duras. As cerimônias diárias, como os ritos do “homem-da-boca-sagrada”, envolvem desconforto e tortura. Com precisão ritual, as vestais acordam a cada madrugada seus miseráveis pacientes, rolam-nos em seus leitos de dor, enquanto realizam abluções, cujos movimentos formalizados são objeto de treinamento intensivo das vestais. Em outros momentos, elas inserem varas mágicas na boca do paciente, ou obrigam-no a comer substâncias que são consideradas curativas. De tempos em tempos, os curandeiros vêm a seus pacientes e introduzem agulhas magicamente tratadas em sua carne. O fato de que essas cerimônias do templo possam não curar, e possam mesmo matar o neófito, não diminui de modo algum a fé do povo nos curandeiros.
Ainda resta um outro tipo de especialista, conhecido como “escutador”. Esse feiticeiro tem o poder de exorcizar os demônios que se alojam nas cabeças das pessoas que foram enfeitiçadas. Os Nacirema acreditam que os pais enfeitiçam seus próprios filhos. As mães são particularmente suspeitas de amaldiçoarem suas crianças, enquanto ensinam a elas os ritos corporais secretos. A contra-magia do feiticeiro “escutador” é singular por sua ausência de ritual. O paciente simplesmente conta ao “escutador” todos seus problemas e medos, começando com as primeiras dificuldades de que pode se lembrar. A memória exibida pelos Nacirema nessas sessões de exorcismo é verdadeiramente notável. Não é incomum que o paciente lamente a rejeição que sentiu ao ser desmamado, e alguns indivíduos chegam mesmo a localizar seus problemas retrocedendo aos efeitos traumáticos de seu próprio nascimento.

Para concluirmos, deve-se mencionar certas práticas que estão baseadas na estética nativa, mas que dependem da aversão generalizada ao corpo e às suas funções naturais. Há jejuns rituais para tornar magras pessoas gordas, e banquetes cerimoniais para tornar gordas pessoas magras. Outros ritos são usados para tornar maiores os seios das mulheres, se eles são pequenos, e menores, se eles são grandes. Uma insatisfação geral com a forma dos seios é simbolizada pelo fato de que a forma ideal está virtualmente fora do espectro da variação humana. Umas poucas mulheres que sofrem de um quase inumano desenvolvimento hipermamário são tão idolatradas, que podem viver muito bem simplesmente indo de aldeia a aldeia, e permitindo aos nativos admirá-las mediante um pagamento.
Já fizemos referência ao fato de que as funções excretórias são ritualizadas, rotinizadas e relegadas ao domínio do secreto. As funções reprodutivas naturais são igualmente distorcidas. O intercurso sexual é tabu como tópico de conversa, e programado enquanto ato. Esforços são feitos para evitar a gravidez por meio do uso de materiais mágicos, ou pela limitação do intercurso a certas fases da lua. A concepção é realmente muito pouco freqüente. Quando grávidas, as mulheres se vestem de forma a ocultar seu estado. O parto ocorre em segredo, sem amigos ou parentes para assistir, e a maioria das mulheres não amamenta seus bebês.
Nossa descrição da vida ritual dos Nacirema certamente mostrou que eles são um povo obcecado pela magia. É difícil compreender como eles conseguiram sobreviver por tanto tempo debaixo dos pesados fardos que eles mesmos se impuseram. Mas mesmo costumes tão exóticos quanto esses ganham seu verdadeiro sentido quando vistos a partir da perspectiva dada por Malinowski, quando escreveu (1948:70):

“Olhando de cima de longe, de nossos lugares seguros e elevados da civilização desenvolvida, é fácil ver toda a rudeza e irrelevancia da magia. Mas sem seu poder e sua orientação, o homem primitivo não poderia ter superado suas dificuldades práticas como o fez, nem poderia o homem ter avançado até os mais altos estágios da civilização.”

REFERÊNCIAS CITADAS

LINTON, RALPH 1936 The Study of Man. NewYork, D. Appleton-Century Co.

MALINOWSKI, BRONISLAW 1948 Magic, Science, and Religion. Glencoe, The Free Press

MURDOCK, GEORGE P. 1949 Social Structure. New Y ork, The Macmillan Co.

1 Publicação original: “Body ritual among the Nacirema”, American Anthropologist, Vol. 58, n° 3
(1956). p. 503-507.
2 University of Michigan, professor.

Evisceração

•Março 4, 2009 • 3 Comentários
Aquarela de Jota Lestrange

Aquarela de Jota Lestrange

Qual será minha linha editorial? Será que vou me adaptar quando chegar a hora? Será que um dia adquiro a erudição necessária pra ser alguém de préstimo suficiente, e poder fazer do meu pensamento o cinzel responsável por moldar um assunto que é de interesse do publico? Formar opinião. Desfazer o encruado, o complicado, aquilo que impede as pessoas de evoluírem. Mas talvez não seja assim que se faça alguém evoluir, se tornar compreensivo, talvez isto seja de berço, ou ainda de útero. Pode ser que a própria natureza escolha quem vai nascer assim, com um talento especial pra ver as pessoas de dentro. Denomino isto como misericórdia. Por ser uma expressão de amor pelo ser humano, inconstante, tão dependente de tantas coisas, que não é o que é sozinho, e não é apenas por ser. Não é endeusar demais, é uma responsabilidade imensa. Somos o que sabemos, e o que sabemos depende de inúmeras pessoas e situações. Ter o domínio sobre o que as pessoas sabem é meio que divino.

As exigências da vida impedem que você pare pra escolher sobre o que você quer falar, ainda mais vivendo daquilo que você fala. Falando para os outros. É cruel viver de retornos positivos quando quem te analisa não te conhece por dentro, assim como ter de saber a mente do outro é como deitar-se em uma Mesa de Evisceração. Siga o seguidor, deixa a sociedade fazer parte de você, pois você é parte da sociedade. Funda sua alma com o resto do mundo e passe a atender suas próprias necessidades. É possível que alguma ligação se estabeleça, se não, parabéns: você é muito diferente do resto.

Aprendi que devemos tentar, quem sabe um talento não aflora? Aprendi a não exigir demais de mim, pois se eu me frustrar o mundo me engole. Mas se engole me deleito naquilo que flui pra fora, escrevo feliz. Ainda prefiro fugir a galopes do mal dos poetas que morrem de depressão. Porque a vida é linda, e achá-la é uma aventura que todos deveriam tentar. Só espero que a técnica não me consuma e não faça perder-me novamente.

————–

As pessoas tem me colocado pra cima. É bom conhecer gente boa que vê algum potencial em mim.

A imagem é de J. Lestrange, uma aquarela da chinesa Zhang Ziyi. Jota é gente boa, um amigo que quando ficar famoso mundialmente vai me dar uma entrevista exclusiva. Risos…

Não estou sabendo configurar os pagrafos direito e meus posts estão se perdendo, alguem pode me ajudar?

Mais do mesmo.

•Março 3, 2009 • 1 Comentário

She just wanna jump...

She just wanna jump...

De novo por aqui. Hoje eu acordei as 08:00 e já fui ouvindo um bocado. Mais um dia que minha mãe acorda de mau humor. Agora você imagina, com a dor que eu to no dente siso, ter que encarar a fera reclamando de tudo. E é o calor que não passa, o dinheiro que não dá, a dor de cabeça que não sara. “Não vou cozinhar hoje”, resmunga por mais uma vez, e lá vou eu comer fora. Fora. Fora minha avó tadinha, que não sabe ficar sem perguntar, e sempre nas melhores horas. Se estou lendo, será que não podia ligar pra minha tia? Se estou no banheiro, deveria estar identificando o que tem dentro da sacola que largaram na cozinha. Acabei de acordar? Mil perguntas de cada um delas, das mulheres da minha vida, que não percebem que preciso de um pouco de privacidade.

Peço a Deus todos os dias pra que essa adolescência um dia acabe, afinal, já sou velho de 21(risos). Eu queria era um espírito mais empreendedor. Sairia mundo a fora sem a culpa de pensar demais. Quando se pensa demais se realiza de menos. E essa dor que o pensar causa? E toda essa confusão? Por favor, um Rivotril, já!

Sem muita experiência, mas com a categoria de um observador (como outro qualquer), digo que se tem que colocar a cabeça no lugar. Não tentando organizar os pensamentos, mas sim deixando-se viver. Não vivendo essa droga de confusão, esse caleidoscópio de possibilidades que titilam povoando de ansiedade uma mente desesperada. Não. Melhor deixar as coisas acontecerem naturalmente, os talentos aflorarem, as portas se abrirem, e a vida ir em frente.

Queria saber sair de casa. Mas por que? Por causa da privacidade? Não. Pra viver a minha vida, pois de tanto viver as vidas dos outros acabei as amando mais do que amo a minha. É bom amar os outros assim, mas está errado. Ama ao próximo como a ti mesmo, e quem ama deixa ir. Então…vá?!

Não é simples assim… só acordei aos dezessete.

P.S.: Recebi um e-mail de Sayuri hoje e fiquei feliz. Por isso a homenagem. Linda foto! =D

Desculpas de sempre

•Março 1, 2009 • 1 Comentário

A internet nos proporciona inventar a vontade, escrever bastante, desabafar, poetizar. E confesso que gosto de todas essas possibilidades, é interessante tê-las ao alcance. Também clichê e repetitivo demais. Mas vamos direto ao ponto, caros leitores, mesmo que esteja escrevendo pra eu e eu mesmo… prometi a mim mesmo que escreveria aqui o que viesse ao meu coração, ainda que seja um monte de baboseiras, relatos imbecis, ou a letra de uma musica, mas ahhh… risos… isso  não é óbvio!? Isso aqui é um BLOG! E adianta? Eu NUNCA usei um blog como um blog. No ultimo que tive gastava cada um dos bytes com sinopses de filmes, e só. Falta do que falar de si mesmo, ou então por achar que a vida andava desinteressante. Mas não adianta, continuo achando minha vida desinteressante para os outros. Ta certo que posso mudar um pouco a ótica da coisa, posso aproveitar o espaço pra analisar o mundo do meu jeito. Posso aproveitar o acesso de gente de fora pra ver se sou eu o alienado ou é o outro. E o outro é o resto do mundo.

Eu analiso demais e acabo vivendo pouco, mas estou tentando mudar. Peço compreensão, todos temos defeitos. Até que sou boa pessoa. Pra mim as pessoas não são ruins até que se prove o contrario, ninguém erra porque quer, uma catástrofe pode servir pra muita coisa, e não há nada nessa terra que não possa ficar diferente da droga que é. O mundo pra mim é um caso perdido, onde só nos resta pensar sobre o que vemos e o que vivemos. Só Jesus pra ajudar, e estou falando literalmente, SEM brincadeiras.

Sabe a figura lá em cima? Eu que fiz(risos)! Meu cérebro parece um caldeirão colorido. Mas que palhaçada! Acho que todo mundo é assim. Acho que essa adolescência vai durar bastante tempo, peço a Deus pra que não dure, e que eu não perca o melhor. Sabe aquela coisa que você faz de conceituar tudo e acreditar piamente que segue aquilo que pensa? Mera auto-afirmação da personalidade, preocupação sem ação. Depois explico melhor…

Aqui segue o primeiro post, e…

… Don’t let go… you’ve got the music in you!